Comissão Julgadora e ATA do julgamento

AVISOS & CONSULTAS_5: A ATA DO JÚRI

ATA DOS TRABALHOS DA COMISSÃO JULGADORA DO CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE PROPOSTAS PARA O PROJETO DE ARQUITETURA DA PAISAGEM: “PARQUE IGARAPÉ SÃO JOAQUIM”

Aos vinte e cinco dias do mês de março de 2022, às 14h, por via remota, ocorreu a primeira reunião da comissão julgadora do Concurso Nacional de Estudo Preliminar do Projeto Parque Igarapé do São Joaquim, para dar início aos trabalhos de avaliação e julgamento dos 18 projetos apresentados, e deliberar os encaminhamentos a serem seguidos. A comissão estava formada pelas arquitetas urbanistas Celma de Nazaré Chaves de Souza Pont Vidal – que por motivos pessoais não participou dessa reunião – Clarice Mizoczky de Oliveira e Luciana Bongiovanni Martins Schenk, pelos arquitetos urbanistas José de Andrade Raiol e Cristovão Fernandes Duarte; acompanharam os trabalhos como coordenador nacional do concurso pelo IAB o arquiteto urbanista Luiz Fernando de Almeida Freitas, e José Akel Fares Filho como coordenador do convênio pela Prefeitura Municipal de Belém, e arquiteto urbanista Pedro Freire de Oliveira Rossi como membro suplente. Nessa reunião decidiu-se por unanimidade que a comissão seria presidida por Luciana Schenk e Celma Chaves foi eleita a relatora. Foi deliberado também o encaminhamento para a próxima reunião: cada júri faria uma leitura individual e selecionaria projetos dentre aqueles que apresentassem as melhores soluções tanto de partido e soluções dignas de nota, quanto aqueles que atendessem as demandas definidas pela organização do concurso. Dando prosseguimento aos trabalhos, a comissão, tendo a presença de todos os seus componentes, reuniu-se de comum acordo no dia vinte e sete de março de 2022, às 16h, e deu início a nova rodada de trabalho com os esclarecimentos do arquiteto José Akel sobre a área objeto do concurso por solicitação dos membros do júri. Em seguida, o arquiteto José Raiol complementou os esclarecimentos. Na sequência, cada membro do júri, após uma rodada de considerações gerais sobre todos os projetos, anunciou os que considerou aptos para a próxima fase, conforme os critérios básicos de avaliação enunciados no edital. Elaborou-se uma planilha com os projetos selecionados por cada membro do júri. Nesse processo, os projetos mais votados foram os de número 2, 6, e 7, enquanto os projetos menos votados foram o 4, 9, 11, 12, 13, 15, 17, 18; os projetos 01, 03, 05, 08, 10, 14 e 16 não receberam votos. No dia vinte e nove de março de 2022, às 18h, iniciou-se a terceira reunião com uma rodada de avaliações e considerações de cada jurado sobre os projetos mais votados. Definindo-se, assim, como os três primeiros colocados, os projetos 7, 6 e 2, seguindo-se uma discussão sobre as considerações e avaliações de cada jurado sobre os demais votados, chegando-se à definição dos dois projetos qualificados para receberem menções honrosas: 9 e 18. Aos três dias do mês de abril de 2022, às 17h. Declararam-se encerrados os trabalhos de avaliação e julgamento dos projetos concorrentes no Concurso Nacional de Estudos Preliminares do Projeto do Parque Igarapé São Joaquim. A presente ata torna público o resultado preliminar do concurso.

PARECER DO JÚRI

A avaliação do júri adotou como diretrizes, os critérios básicos de avaliação definidos no edital:
1. Proposta conceitual adotada
2. Memorial descritivo-Justificativo-Relatórios
3. Implantação – Adequabilidade ao Contexto Físico – Territorial
4. Função- Resolução de Principais Questões Tratadas
5. Forma – Criatividade e expressão Plástica

A numeração dos trabalhos é aquela determinada pelo sistema, por ordem de entrega dos trabalhos, e não tem em geral qualquer relação com a numeração atribuída aos concorrentes quando da inscrição.

PARECER DO JURI

2ª Menção Honrosa

A partir do estabelecimento de uma pauta que cruza questões do planejamento urbano e regional às da sociologia urbana, a proposta enfrenta uma diversidade de temas referente à infraestrutura urbana no local (gestão de resíduos, mobilidade urbana, rede de espaços públicos, equipamentos urbanos, drenagem e saneamento).

Tendo como princípio norteador a ideia de que paisagem e territórios são educadores, destaca-se a importância da participação social, apresentando os lugares como parte desse processo. São recortados pontos que recebem diretrizes de projeto que articulam equipamentos, ou infraestruturas e população.

A fundamentação teórica e técnica carece de traduções em forma de representações e desenhos que explorassem essa materialidade apontada como estratégica para suplantar a condição de desigualdade e pobreza.

A menção honrosa coube ao projeto 18.
*Projeto foi inscrito pelo Arquiteto Urbanista BENEDITO MOREIRA, de Minas Gerais.

1ª Menção Honrosa

A proposta apresenta boa leitura urbana e de documentos, suas prerrogativas urbanísticas convocam princípios contemporâneos e articulam questões ambientais a partir da ideia de infraestrutura, que o projeto denomina arquitetônico-urbanística.

Demonstrando aproximação estratégica, a proposta mapeia pré-existências e realiza propostas a partir de marcos temporais e recursos tipológicos. Os desenhos de adensamento em lugares próximos aos igarapés terminam por fragilizar o conjunto da proposta revelando inconsistência entre discurso e desenho.

A menção honrosa coube ao projeto 9.
*Projeto foi inscrito pelo Arquiteto Urbanista MARTIM GOIC do Paraná.

PROJETOS PREMIADOS

3o Lugar

O projeto classificado em terceiro lugar adota o princípio de simbiose entre natureza e os processos de ocupação humanos, propondo um sistema que toma a terminologia da ‘metástase verde’ como paradigma de planejamento e projeto.

O trânsito entre as escalas se apresenta a partir da divisão entre cidade, bairros e centralidades. A proposta de mobilidade urbana se mostra adequada e a preocupação com a comunidade local transparece nas leituras.

As representações, nós, praças, plataformas flutuantes e quintais compõem uma série de ações que integram e conectam lados: são ações e usos que já ocorrem e que podem ser potencializados pela proposta.

Equipamentos e mobiliários guardam uma abordagem modular que associadas à infraestrutura verde dialogam com questões contemporâneas de projeto da paisagem, contudo, a leitura e qualidade da intervenção, a partir da rigidez de certas formas carecem de referências e relações com o lugar.

O terceiro prêmio coube ao projeto 2.
*Projeto foi inscrito pelo Arquiteto Urbanista FREDERICO RABELO de Goiás.

2o Lugar

O projeto urbanístico e da paisagem classificado em segundo lugar apresenta a ideia de recuperação das funções ecossistêmicas da paisagem unindo infraestrutura e sociedade uma vez que a situação presente testemunha uma intervenção tecnicista que transformou o igarapé em canal de macrodrenagem. A representação é de grande qualidade e imaginação poética, cumprindo o papel de resgatar essa paisagem original e mediá-la por meio da cultura instalando esse registro de memória e referência fundamental para a construção de pertencimento e identidade em relação ao igarapé.

As infraestruturas ecológicas recriam essa paisagem e se apoiam em quatro diretrizes: ampliar a capacidade do território resistir aos impactos da chuva e gerar as condições sanitárias necessárias para o habitar do território. A dimensão social do projeto por sua vez, visualiza as formas de apropriação coletivas presentes e propõe ampliar calçadas e criar quintais coletivos. A expectativa social se preocupa em agregar valores a um parque urbano na periferia de Belém, rompendo com a lógica que valoriza espaços e expulsa a população original.

A criação de um sistema de passarelas sobre as águas, que se ligam a espaços de estar; de uma piscina pública nas margens do igarapé com água tratada pelos processos de fito-depuração propostos pelo projeto, bem como a utilização das calhas de cobertura dos edifícios para o banho de chuva, tão popular em Belém, celebram a presença da água como elemento decisivo da paisagem amazônica. A proposta tem boa distribuição de usos e equipamentos, em design que procura dialogar com o local. O desenho se mostra extremamente arrojado, o que significa um especial desafio ao processo de financiamento e construção técnica, cultural, social e política.

O segundo prêmio coube ao projeto 6.
*Projeto foi inscrito pelo Arquiteto Urbanista DUARTE VAZ do Rio de Janeiro.

1o Lugar

O projeto classificado em primeiro lugar estabelece seus princípios pondo em diálogo a cidade de Belém com questões contemporâneas do urbanismo e da arquitetura da paisagem. A compreensão do território e abrangência do projeto revela o parque não como peça isolada, mas como irradiador de uma transformação socioambiental da comunidade.

As particularidades do território são observadas criticamente e suas fragilidades e potencialidades ambientais e sociais foram exemplarmente articuladas através do trânsito entre escalas que une o processo de leitura e planejamento ao projeto.

O projeto parte de um reconhecimento apurado e respeitoso da paisagem local e da identidade cultural de Belém, propondo soluções, ao mesmo tempo, criativas, inovadoras, simples e exequíveis.

As ações e desenhos expressam um compromisso com o lugar e com a cidade que vai se confirmando ao longo da apresentação das pranchas que têm apresentação gráfica excepcional qualidade. As ideias centrais do projeto são comunicadas com clareza e intensidade poética, através de perspectivas realistas e desenhos esquemáticos que retomam a arquitetura e apropriações locais e as instalam em nova paisagem.

O contato com as informações presentes no Plano Diretor e outros documentos se mostra presente através do cuidado com o qual essas áreas, em especial as que descrevem vulnerabilidades ambientais e sociais, recebem suas diretrizes. Ao mesmo tempo, destacam-se ações relacionadas às questões ambientais: da chamada infraestrutura verde, ligadas à drenagem e melhoria da qualidade da água, àquelas que integram a produção agroflorestal, com geração de emprego e renda; para além do simples aporte tipológico, um cioso encontro entre tecnologias e experiências do lugar.

As intervenções propostas primam pela simplicidade e singeleza, conferindo grande legibilidade aos espaços projetados. O rigor geométrico e a pureza formal do desenho das passarelas e dos elementos arquitetônicos contrastam, sem competir, com o protagonismo da paisagem natural do igarapé, evidenciando a relação dialética e complementar entre cidade e natureza.

Outros destaques de relevância presentes na proposta reúnem mobilidade e acessibilidade do território, com a criação de VLP, o protagonismo do pedestre e uma fundamental mudança de registro acerca do papel da água, celebrada como “fonte de vida e afirmação cultural”. Entre as estratégias de implantação a curto, médio e longo prazo das infraestruturas propostas pelo projeto, destaca-se a criação de cooperativas para a gestão socioambiental compartilhada do parque.

O júri compreende a proposta que associa a chave desta conquista com a educação ambiental e participação da comunidade fundamentada pelo plano e projeto, que permitirão o desenvolvimento de políticas públicas e programas de natureza socioambiental, econômicas e culturais. Os cenários possíveis apresentados pelo projeto constituem um ponto de partida para a construção de um processo participativo com o envolvimento da comunidade local, visando consolidar formas de apropriação do parque e transformar a relação da comunidade com o igarapé.

O primeiro prêmio coube ao projeto 7.
*O Projeto foi inscrito pelo Arquiteto Urbanista FABIANO SOBREIRA de Brasília/DF.

A ATA DOS TRABALHOS DA COMISSÃO JULGADORA DO CONCURSO PÚBLICO NACIONAL DE PROPOSTAS PARA O PROJETO DE ARQUITETURA DA PAISAGEM: “PARQUE IGARAPÉ SÃO JOAQUIM”, É ASSINADA COMO SE SEGUE.

Belém, 04 de abril de 2022

Luciana Schenk
Presidenta da Comissão Julgadora

Celma Chaves
Comissão Julgadora – Relatora

Clarice Mizoczky
Comissão Julgadora – Membro

Cristovão Duarte
Comissão Julgadora – Membro

José de Andrade Raiol
Comissão Julgadora – Membro